O Réveillon é um momento simbólico de celebração, mas também representa um dos períodos de maior risco para a saúde e a segurança dos animais de estimação. O aumento repentino de ruídos, a circulação intensa de pessoas, a oferta de alimentos inadequados e a quebra total da rotina criam um cenário propício para acidentes e emergências envolvendo cães e gatos.
Durante a virada do ano, os atendimentos veterinários de urgência costumam aumentar de forma significativa, especialmente por crises de medo desencadeadas pelos fogos de artifício, intoxicações alimentares e tentativas de fuga. Nessas situações, o conhecimento básico de primeiros socorros e a capacidade de reconhecer sinais de alerta são determinantes para reduzir danos e preservar a vida do animal.
O barulho dos fogos pode provocar reações agudas de medo. Tremores persistentes, respiração acelerada, vocalização intensa, salivação excessiva e desorientação indicam sofrimento importante. Em alguns casos, o pânico leva a tentativas de fuga, quedas, colisões e ferimentos.
Criar um ambiente protegido antes do início dos fogos é uma medida preventiva fundamental. Manter portas e janelas fechadas, reduzir estímulos externos e permitir que o pet permaneça em local onde se sinta seguro ajudam a minimizar respostas extremas.
A ceia de Réveillon frequentemente inclui alimentos altamente perigosos para cães e gatos. Chocolate, bebidas alcoólicas, uvas, restos gordurosos e ossos estão entre as principais causas de intoxicação nessa noite. A ingestão desses itens pode provocar desde vômitos e diarreia até quadros neurológicos e metabólicos graves.
Cortes em patas causados por cacos de vidro, enfeites quebrados ou objetos pontiagudos também são frequentes. Em situações de sangramento, a pressão direta com pano limpo ajuda a conter a hemorragia até o atendimento veterinário.
Dificuldade respiratória, sangramento abundante, engasgo, convulsões, ingestão de substâncias tóxicas ou alterações comportamentais abruptas são sinais que exigem ação imediata. O tutor deve manter a calma, evitar intervenções improvisadas e buscar atendimento profissional o mais rápido possível.
O transporte do animal deve ser feito com cuidado, evitando movimentos bruscos e protegendo áreas lesionadas, sempre que possível.
Grande parte das emergências no Réveillon pode ser evitada com planejamento simples. Manter alimentos fora do alcance, orientar convidados, controlar o acesso a áreas externas e respeitar os limites emocionais do pet são atitudes que fazem diferença.
Cuidar dos animais na virada do ano é uma demonstração de responsabilidade e respeito. A celebração só é completa quando todos, inclusive os pets, atravessam o Réveillon em segurança.
Dr. Marcelo Müller é Médico-Veterinário com mestrado em Pesquisa Clínica, especializado em clínica médica e cirúrgica de pequenos animais, bem-estar animal e atendimento veterinário domiciliar. Atua na promoção de saúde preventiva e integrativa, com foco no diagnóstico precoce, respeito à senciência animal e fortalecimento do vínculo entre pets e tutores.
Autor do livro “Meu Pet… Meu Mundo…”, é uma das vozes mais ativas do país na defesa da medicina veterinária humanizada e da valorização do profissional que cuida da vida em todas as suas formas.
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PRISCILA GONZALEZ NAVIA PIRES DA SILVA
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